Gramática » Objeto indireto

 

O objeto indireto (OI) é formado por sintagma substantivo preposicionado, considerada a restrição de que SSp admita substituição por pronome oblíquo átono, ou então, que SS seja comutável por pronome oblíquo tônico.

Notação formal

No aspecto morfossintático, o que caracteriza o objeto indireto são duas regras: ser formado por SSp e ser comutável por pronome oblíquo. Existem alguns casos, porém, em que a comutação por pronome oblíquo merece atenção. Observe as séries que têm os objetos indiretos assinalados em negrito:

João enviou uma carta para Maria.

João enviou uma carta para ela.

João enviou-lhe uma carta.

 

Maria recebeu uma carta de João.

Maria recebeu uma carta dele.

Na primeira série, o objeto indireto pode ser comutado com pronome oblíquo átono (lhe). No segundo caso, isso não é possível porque o pronome lhe, pode ocupar posição de a+ele ou para+ele, mas não pode comutar com de+ele.

Em nossa análise, vamos considerar suficiente que o objeto indireto seja comutável por preposição + pronome oblíquo tônico. Com isso, consideramos como objeto indireto também os casos em que o SSp não pode ser substituído por pronome oblíquo átono por apresentar preposição diferente de a ou para.

Veja alguns exemplos de objeto indireto:

  OI  
Entregue o livro a Pedro imediatamente.
Expliquei o problema a você antecipadamente.
Faça me este favor.

Duplo objeto indireto

Podem ocorrer frases com mais de um objeto indireto como no exemplo a seguir:

Falaram de João para Maria.

No exemplo, tanto de João como para Maria são objetos indiretos. Ambos são sintagmas substantivos preposicionados e podem ser comutados por frases correspondentes com pronome oblíquo.

Falaram dele para ela.

Falaram-lhe dele.

Reconhecimento do objeto indireto

É preciso atenção para identificar corretamente o objeto indireto na frase. Observe os exemplos:

João entregou o carro a Pedro.

João entregou o carro de Pedro.

Na primeira frase, o sintagma a Pedro é objeto indireto, pois pode ser substituído por lhe. Na segunda frase, não temos objeto indireto porque o sintagma de Pedro é determinante de carro, ou seja, está incluído no sintagma o carro de Pedro. Em outras palavras: não é qualquer SSp que funciona como objeto indireto.

Tanto objetos indiretos, como sintagmas adverbiais e  sintagmas adjetivos podem ser formados por SSp. Veja os exemplos:

Vendi meu carro para João.

Ele viajou para Minas Gerais.

Comprei um lanche para viagem.

Na primeira frase, temos OI em negrito. Na segunda, temos SAdv e na terceira, SAdj. Mas como distinguir um de outro se apresentam semelhanças evidentes como: são sintagmas substantivos preposicionados, apresentam a preposição para e estão posicionados no final da frase.

Para fazer a identificação correta dos sintagmas, recorremos a testes de permuta. Podemos permutar a primeira frase por duas outras correspondentes sem modificação do sentido. Veja:

Vendi meu carro para João.

Vendi meu carro para ele.

Vendi-lhe meu carro.

A possibilidade de permuta por pronomes oblíquos caracteriza o objeto indireto.

Na segunda frase, a permuta por pronome oblíquo átono não é possível. Observe:

* Ele viajou-lhe.

Ainda sobre a segunda frase: a permuta por a+ele, resulta bastante estranha. Não é comum referir-se a um estado do país como ele.

* Ele viajou para ele.

Na terceira frase, a permuta por pronome oblíquo modifica o sentido da frase.

Comprei um lanche para viagem.

Comprei-lhe um lanche.

Comprei um lanche para ela.

As frases acima criadas por permuta não apresentam o mesmo sentido da frase original.


 
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